IV Palestra ICIA - O Compromisso Marítimo de Lagos e o resgate de cativos portugueses em Argel
O Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) promove, no próximo dia 24 de Outubro, às 17h00, no Museu de Portimão (sala de formação), a quarta palestra do ciclo ICIA 2026 – Percurso de Memória, Identidade e Poder, com curadoria de Maria Graça Ventura.
A sessão, intitulada O Compromisso Marítimo de Lagos e o assistencialismo ao último resgate de cativos portugueses em Argel (1810), estará a cargo de António Jorge Afonso (ICIA/CH-ULisboa) e leva o público a um episódio pouco estudado, mas de grande importância para a história do Algarve no contexto do Mediterrâneo. Em causa está o papel de Argel como centro do corso que, até 1810, assolava as costas da região.
Entre 1778 e 1812, mais de seiscentos cativos portugueses permaneceram na Regência de Argel. Entre eles contavam-se mais de uma centena de naturais do Reino do Algarve que, num misto de miséria e coragem, procuravam os portos espanhóis do Sul da Península em busca dos atrativos fretes de transporte de sal de Cádis para o norte de Espanha. Vítimas de injustiças e de tratamento desigual em relação aos compatriotas dos navios da Armada, e sobretudo à elite dos seus oficiais, recorreram às organizações que os apoiavam no Reino e para as quais contribuíam: os Compromissos Marítimos.
O Compromisso Marítimo de Lagos desempenhou um papel fundamental no apoio aos 26 naturais da cidade que, em 1808, foram presas fáceis do corso argelino, constituindo um exemplo do relevante papel assistencial destas organizações. Além de lacobrigenses, foram também resgatados naturais de Alvor, Ferragudo, Olhão e Tavira.
Sobre o orador
António Jorge Afonso é Doutor em História dos Descobrimentos e da Expansão pela Universidade de Lisboa, com a tese Os cativos portugueses nos banhos magrebinos (1769-1830): o Islão, o corso e a geoestratégia no ocidente do Mediterrâneo. É investigador do Centro de História da mesma universidade e associado do ICIA. Os seus estudos centram-se nas relações entre os Povos do Livro (cristãos, judeus e muçulmanos) no espaço magrebino, bem como nas principais realidades políticas desse território. Participou em numerosos colóquios em Portugal e Marrocos e é autor de estudos publicados em revistas da especialidade.