Apresentação de “À descoberta das Américas”, de Maria do Vale Cartaxo, na Biblioteca Municipal
“O Chris e eu partimos em 30 de Setembro de 1974 de Vancouver Island, uma grande e belíssima ilha do Pacífico, no estado mais ocidental do Canadá, o British Columbia – e onde, então, nos encontrávamos de visita já quase há 5 meses (a preparar-nos para a longa viagem que iríamos empreender) – depois de termos atravessado de navio todo aquele vasto oceano, desde Tóquio, imensa urbe onde vivêramos e trabalháramos durante cerca de dois anos.
A viagem transcontinental em Lola teve início em setembro de 1974, e nela descemos até Seattle, no estado de Washington, seguindo-se Nevada e Califórnia – quando então eu me dediquei a anotar a nossa aventura, em forma de diário, que aqui segue, enquanto o Chris conduzia…
Ah, sim, mas muito antes de todos aqueles trajetos e vivências já eu viajara desde a Europa, embarcada no porto francês de Marselha no navio “Pacifique”, da companhia “Messageries Maritimes”, para ir desembarcar um mês depois na Ásia, em Colombo, capital ceilonesa, em finais de junho de 1969, para me ir reencontrar com o Chris. E desde o meu embarque em Marselha até ter chegado a Colombo, eu havia contornado África, no Cabo Bojador (que o Gil Eanes dobrara em 1434).”
Biografia da autora
Maria de Vale Cartaxo, nascida em Portimão, menina e moça partiu de casa de seus pais para estudar no liceu de Faro e na universidade de Lisboa, e logo sentiu o anseio de sair do lar pátrio e ir mais longe – não se contentando com pouco, deu a volta ao mundo e navegou pelos oceanos Atlântico, Índico, Pacífico e outros mares. Fazendo toda a rota marítima dos antepassados descobridores, contornou o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, com paragens no Senegal, África do Sul e Quénia, aportou em Bombaim, ancorou no Ceilão, arribou em Malaca, navegou até Macau, viajou por Taiwan e desembarcou em Nagasaki, no Japão.
Sobre duas rodas, cavalgando uma mota com o seu marido Christopher Gosden, um inglês também sedento de aventura, percorreu milhares de quilómetros desde Singapura, através da Malásia e da Tailândia, até ao Laos e Camboja. Posteriormente, viveram e viajaram por terra durante um ano e meio, numa pequena caravana “pão de forma” VW, por todo o continente americano, desde o Canadá ao Chile, cruzaram a Argentina e fixaram-se no Brasil. Para lá de todos os lugares que conheceu em quatro continentes, dos Alpes aos Andes, dos glaciares canadianos ao deserto de Atacama e à floresta amazónica, a autora morou em Salzburg, Colombo, Bangkok, Hong Kong, Tóquio, Porto Alegre e Rio de Janeiro, onde trabalhou em missões diplomáticas, empresas multinacionais, escolas e como tradutora free-lance.
Depois de regressar à sua terra, passou a residir perto de Alvor, com vista para o mar que tanto ama.
Foi a primeira agraciada com o Prémio Manuel Teixeira Gomes, instituído pela Câmara Municipal de Portimão, em 1999, com o conto “A viagem” e, depois disso, foi também premiada, em 2002, com a novela “O legado de Mrs. Baker” e, em 2006, com o conto “O sétimo dia”. Publicou ainda os romances “Três diários de bordo em rota de naufrágio”, em 2003, “O dia não”, em 2008,” Outrora eu era daqui”, em 2017, “No comboio ascendente”, em 2018, e “Crónicas de um naufrágio anunciado”, em 2020.